segunda-feira, 9 de julho de 2018

Quem perde você, perde o quê?

Bom, é verdade.. quando alguém sai da nossa vida, a gente sempre subtrai. Cada pessoa é uma infinidade de coisas e, se ela vai embora, leva todas essas coisas com ela. Tudo. De bom e de ruim.
Você, assim como eu, é capaz de listar duas, dez, mil coisas sobre alguém que foi embora. Significa que você enxerga a beleza do outro, e isso é lindo. É saudável e importante reconhecer as qualidades do outro. Normalmente, ver o há de bom no outro diz mais sobre a gente que sobre o outro, inclusive.

Mas e você?
Quem perde você, perde o quê?

Às vezes a gente esquece quem é. Ou, mais que isso: às vezes a gente esquece tudo o que é. As mil coisas que vão embora, quando alguém abre mão da gente.
Não é mais fácil pra mim.
Eu só faço questão de olhar a subtração direitinho. Olho pro que fica e acabo vendo que, quem abre mão de mim, segue subtraído de tudo que eu sou.
Quem me perde, perde o apoio inquestionável, o carinho fácil, a preocupação doce. Perde as piadas ruins fora de hora (que normalmente são o tempo todo), a conversa que flui como nenhuma outra, o estar junto simples e sereno que basta em si. Perde o companheirismo implacável pros momentos em que o resto do mundo desaparece. Vai comigo o respeito, a lealdade, a memória que decora cada palavra, cada gesto, o achei-que-vc-fosse-gostar-comprei-pra-vc.
Vai embora comigo a mão do cafuné quase involuntário. O abraço no meio da noite. E da tarde. E de qualquer hora. Vai comigo o brilho nos olhos ao ver chegar. O ouvido, o ombro e o colo pré dispostos. Comigo vai a alegria, a força, a cia da viagem longa e chata, do filme ruim, da bagunça na cozinha e das referências imbecis. Na minha mala vão todas as ideias e soluções sobre todos os problemas que não são meus, mas viram, pq eu sou assim. Vai comigo o olhar que admira, o sorriso orgulhoso das vitórias do outro.
E não é o outro quem tem que saber disso, sou eu. Se a pessoa abriu mão, deixo que ela siga subtraída de mim. Às vezes a pessoa perde sem saber. Sem dar a chance, sem abrir a porta. Perde no medo, na hesitação, na certeza - que, na verdade, ninguém tem - sobre o amanhã.
Perde, ou mais que isso: escolhe perder, por medo, por trauma, por inquietação, por preguiça de tentar, por ter criado um muro em volta da própria vida, ou por qualquer outro motivo. Mas perde. E fim.
A gente não pode nunca deixar de olhar pra si e ver com clareza o que é. Tudo que você é. Todas as mil coisas. O que você é, é valioso. Tudo que você é, só você é.
Quem me perde, quem abre mão de mim, perde em mim um monte de coisas. Que eu sei. Que eu vejo claro. Que eu conheço sobre mim. Esta perda não é minha, é do outro.. e eu sei direitinho tudo que a pessoa subtrai de si mesma quando eu vou embora.
E você?
Quem perde você, perde o quê?

terça-feira, 26 de junho de 2018

Vou ficar bem

E comecemos assim: todos nós precisamos de alguém, que precise de nós…
Foi burrice, inocência e imaturidade. Expectativas frustrantes, ilusões fracassadas e pensamentos que o vento levou. Foi platônico, coisas da minha cabeça, coração indefeso. Foi o que todo mundo falou, e eu neguei. Foi o que você não fez, e eu continuei insistindo. Foi tudo o que os meus olhos apaixonados não enxergaram, e que agora transparece sangrando na alma. Foi covarde da sua parte, e fraqueza da minha. Foi medo, entrega absoluta e insatisfação. Foi um balde de água fria no meu corpo inteiro, e o conforto da coberta no seu. Foi para você, mas para mim, simplesmente, ficou. Desde que nos beijamos. Tudo palpitou acelerado aqui dentro, era uma mistura incontrolável da fome, com a vontade de comer. Você chegou quando eu já não tinha mais esperanças de encontrar alguém, trouxe cor ao que era preto e branco. Você foi tudo o que eu nunca tive e, ao mesmo tempo, tudo o que eu desejei nunca ter conhecido.
Eu fiz planos ao seu lado como se não houvesse amanhã. Abri mão de muita coisa por você. Ninguém é obrigado a fazer isso por alguém, mas saiba, que não era nenhum tipo de sacrifício poupar os meus próprios sorrisos, para conquistar os seus. Perdi as contas de quantas vezes eu fiz por você, o que nunca ninguém fez por mim. Não sou muito experiente em relacionamentos, mas eu sempre acreditei que a sinceridade move montanhas. O primeiro passo, é não fazer com o outro, o que você não gostaria que fizessem com você. Se colocar no lugar do próximo é fundamental, dessa forma, podemos prever quais os resultados de cada atitude. Só quem ama cuida, de resto, nada tem importância.

Pois bem, eu cuidei de você. Me preocupava quando você ia dormir tarde, mas precisava acordar cedo. Quando tinha que estudar, e ficava altas horas trabalhando. Eu me preocupava quando estava frio, e te lembrava da blusa para se esquentar. Quando você estava com fome, e eu preparava o seu prato preferido. Quando, antes mesmo de você sequer imaginar, eu te surpreendia com qualquer coisa boba, só para te ver feliz. Definitivamente, eu não media esforços para demonstrar o quanto eu era apaixonada por você.
Eu fazia tudo, e era espontâneo. Eu me preocupava antes de você pegar no sono, e te enchia de carinho para sentir o amor correr nas minhas veias. Quando, por um descuido qualquer, você tropeçava e eu segurava a sua mão. Quando os seus problemas apareciam todos de uma vez, e eu servia de porto seguro para a sua calmaria voltar ao eixo. Eu fui calor, quando você estava frio. E paciência, quando você usava palavras secas para argumentar qualquer desentendimento. Eu fui matemática, quando precisei contar até dez e não jogar tudo para o alto. E português, todas as vezes em que pensei em te escrever o que sentia, mas me faltavam palavras.
Eu fui muito mais do que estava disposta, e além do que você merecia. Eu fui doce, quando você queria apenas salgado. E amarga, quando você repetia os mesmos erros. Eu fui compreensiva, tentei te entender e por vezes, eu te desculpei. Perdoei coisas que eu me julgava incapaz. Chorei na minha, no silêncio no meu quarto. Pausei a música, quando me lembrava você. Rasguei todo o projeto que eu tinha com você. Eram grandes demais, para uma pessoa pequena.
E, então, a ficha caiu. Você nunca esteve comigo. Mantive um relacionamento unilateral, me fechei no mundo e fiquei cega aos meus instintos. Se a paixão não tivesse me deixado vidrada em você, talvez a realidade teria me dado um tapa na cara. Foi tudo uma mentira. Você não reconhecia nada que eu fazia por você e, por isso, não fazia a menor questão de retribuir. Você teve tudo muito fácil, como queria, na hora e sem precisar sair do lugar. 
Talvez, nunca tenha existido nós. Eu criei, fantasiei e acreditei. Foi miragem, desejo e vontade de realmente ter alguém. Depositei em você, algo mais pesado do que você poderia carregar. Não era você, nunca foi você.
Eu não sei de onde eu tirei tudo isso…
Acho que eu te amei, mas nunca deixei, primeiramente, de me amar. 
Sem ressentimentos e magoas.